foi uma exposição realizada, em 2018, para comemorar os quatro anos de abertura ao público do Museu de Sant’Ana. A mostra apresenta um grupo notável de “Meninas de Ana”, onde o público pode apreciar, mais detidamente, a graça, o encantamento, a delicadeza e a beatitude da jovem Maria. Muitas vezes, a grandiosidade da matriarca, Sant’Ana, em sua solene cátedra magistral, parece sombrear a pequena e discreta leitora do livro que lhe é aberto. As peças expostas são datadas dos séculos XVIII a XIX.

Séculos de tradição cristã cultivaram a certeza de que Maria foi concebida sem pecado original. Não encontramos o nome da avó de Jesus nos livros canonizados oficialmente pela Igreja Católica e que compõem a Bíblia. Mas a Palavra de Deus ultrapassa essas páginas e mora no coração do povo que reza e preserva suas verdades.

Um dos escritos apócrifos que condensa essas tradições orais é o Protoevangelho de Tiago (150 dc), que narra, em detalhes, o nascimento e a infância de Maria.

A história é singela. Joaquim era um homem rico de Israel, casado com Ana, que sofria terrivelmente por não ter filhos em virtude da esterilidade de sua esposa. Então Joaquim se retirou para o deserto e jejuou durante 40 dias. Enquanto isso, Ana permanecia em casa, em oração. Foi então que um anjo lhe apareceu e disse: “Ana, o Senhor escutou teus rogos! Conceberás e darás à luz e de tua prole se falará em todo o mundo”.

O mesmo aconteceu com Joaquim. Nove meses depois, nasceria a “Menina de Ana”. Ela recebeu de seus pais uma educação de grande sensibilidade religiosa. Fizeram de sua casa um verdadeiro Santuário. Após completar três anos, a menina foi levada ao Templo para ser cuidada e educada. Ficou ali até os doze anos. Foi nesse ambiente que providencialmente conheceu José, um viúvo da aldeia que assumiu a sua custódia, respeitando a sua virgindade.

O resto da história já conhecemos das páginas do Evangelista Lucas. Certo dia, o Anjo Gabriel apareceu a Maria e anunciou que seria a Mãe de Deus. Ela respondeu: “Eis aqui a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua Palavra” (lc 1:38). O mundo nunca mais seria o mesmo depois daquele “sim”, em que uma menina de periferia mudou para sempre os rumos da história.